5º EP Minissérie: O que faço com a história que vivi

Episódio 5 – Você tem seis meses

Nesse episódio narro um diálogo que marca a passagem de um ciclo da vida profissional para outro.

Catarina trabalhava como assistente administrativa na área de eventos.

Foi quando a supervisora da área foi demitida.

Catarina foi convidada a assumir interinamente a posição de liderar a equipe até que uma nova supervisora ou supervisor fossem contratados.

Foi numa tarde comum, entre relatórios e prazos, que o gerente a chamou para conversar.

Catarina sentou-se diante dele sem imaginar que aquela conversa deslocaria algo mais profundo do que seu cargo.

Não era a primeira vez que ela assumia responsabilidades além das suas funções. Mas, naquele dia, a conversa tinha outro peso.

O gerente iniciou a conversa falando sobre liderança, sobre confiança, sobre potencial.

Falou como se enxergasse nela algo que ela ainda não tinha nomeado.

O gerente então disse:

– Pelas diretrizes da empresa, temos que fazer o processo seletivo para ocupar o cargo de supervisão que está vago e, como você já está atuando, creio que seria justo que participasse da seleção.

E como se quisesse lhe testar, ele abriu uma gaveta, retirou vários currículos de dentro dela e colocou sobre a mesa dizendo:

– Está preparada para participar desse processo seletivo?

Catarina ficou surpresa com a pergunta, mas refletiu um pouco e respondeu:

– Creio que tenho vantagens e desvantagens, não sei se posso dizer que estou preparada para esse processo.

Um silêncio pairou no ar. Catarina rapidamente continuou.

– Entre as desvantagens está o fato de que as pessoas que estão nesses currículos são profissionais já capacitados e habilitados para essa função, inclusive com experiência e até pós-graduações.

Eu acabei de me formar e não possuo experiência em gestão, necessitando desenvolver as habilidades necessárias.

O gerente então perguntou:

– E quais seriam as vantagens?

E Catarina prosseguiu:

– Já estou há dois meses na liderança daquela equipe e tenho algo importante que esses currículos não têm: conheço bem essa empresa e principalmente os clientes, falo diariamente com eles, conheço suas necessidades. 

Embora sustentasse firmeza na fala, o corpo de Catarina denunciava a tensão. As pernas tremiam, o coração acelerava.

Coragem e medo caminhavam lado a lado.

E ela continuou:

– Me vejo liderando aquelas pessoas, me vejo atendendo aqueles clientes e resolvendo suas demandas.

Por isso eu te peço apenas uma oportunidade: me dê seis meses e, caso eu não lhe traga resultados, estou ciente que esse tipo de promoção, não tem retorno.

Na sequência, o gerente, pegou os currículos, os devolveu na gaveta e disse:

Você tem seis meses.

Foi assim que ela assumiu o cargo de supervisão, liderando mais de quarenta pessoas e para o qual não ficou apenas por seis meses, mas sim por seis anos.

Ali naquela conversa Catarina teve que sustentar uma postura segura e autoconfiante para alcançar seu objetivo. 

Mas alguns sentimentos pousavam em sua mente e disparavam sensações no corpo durante e depois daquela conversa.

A coragem muitas vezes cedeu lugar para o medo, principalmente o medo de fracassar diante do olhar do outro.

Ao sair daquela conversa, duas vozes se levantaram dentro dela.

Uma dizia: “Você está pronta.”
A outra sussurrava: “Será mesmo?”

Catarina ainda não tinha essa consciência, mas ao pleitear aquela posição não era apenas uma promoção.

Era autorizar uma nova versão dela mesma a existir.

E isso, às vezes, assusta mais do que mudar de estado.

A liderança que Catarina assumiu no trabalho foi o ensaio simbólico da liderança que futuramente assumiria na sua própria vida.

No próximo episódio, Catarina vive dias de luz e caos em um período onde sua saúde fica sensivelmente debilitada.

Anterior

Seguinte