4º EP Minissérie: O que faço com a história que vivi

Episódio 4 – Se você tem um objetivo, mova-se em direção a ele

Neste episódio, seguimos entre idas e vindas, acompanhando como um sonho começa a ganhar forma — e como alcançar objetivos muitas vezes começa com decisões simples.

Era fim de tarde.
Catarina e Eraldo estavam sentados na calçada, em frente à casa dos pais dela, no Ceará.

Do outro lado da estrada, a paisagem se impunha.
Vegetação densa. Mato fechado. Árvores altas.
Um terreno mais elevado, que parecia ainda mais íngreme do que realmente era.

Eles estavam de férias.
Apenas contemplavam o pôr do sol.

Até que, em meio à conversa, Eraldo disse:

— Veja, Catarina. É ali que vamos construir nossa casa.

Em seguida, levantou-se e a chamou:

— Venha comigo. Vou te mostrar.

Atravessaram a estrada.
Ele segurou sua mão e a conduziu por uma trilha.

Alguns metros adiante, já na mata fechada, ele parou:

— É aqui, meu bem. É aqui que nossa casa será construída.

Ali havia um pé de cajá.
Ele mesmo havia plantado. Cuidava com carinho.
Sempre que podia, levava a filha para regá-lo.

Catarina observou ao redor e disse:

— Me parece alto. E distante da estrada. É um bom lugar. Vai nos dar silêncio.

Eraldo completou:

— Aqui o terreno é plano. É um ponto alto. Vamos ter uma vista linda do brejo e do buritizal lá embaixo.

Naquele momento, o que era apenas uma conversa começava a ganhar direção.

Voltaram para casa, em São Paulo.

Alguns dias depois, já imerso na rotina, Eraldo estava no computador.
Então chamou Catarina:

— Senta aqui. Olha essas fachadas. Qual você gosta?

Em seguida, acrescentou:

— Já estou em contato com um tratorista no Ceará. Vamos limpar o terreno para começar a construção.

Catarina se surpreendeu.
Ainda assim, sentou-se ao lado dele.

Enquanto observava as imagens, comentou:

— Chegamos de viagem há poucos dias. Você não acha que podemos esperar um pouco?

Foi então que ele disse, com simplicidade:

— Se você tem um objetivo, mova-se em direção a ele.
Mesmo que em pequenos passos. Mas mova-se.

A partir dali, começaram.

Escolheram a fachada.
Pegaram papel. Desenharam a planta.
Pensaram nos cômodos, na metragem, nos detalhes.

O que antes estava solto em seus pensamentos, agora ganhava uma fotografia impressa para que ambos pudessem contemplar.

Fachada escolhida.
Planta pronta.

Era assim que começavam a agir para alcançar objetivos — mesmo sem todas as respostas.

Nas férias seguintes, voltaram ao Ceará.

Dessa vez, com um propósito claro: encontrar quem construiria a casa.

Foram até uma cidade vizinha.
Lá encontrariam com o Sr. José Antônio, um empreiteiro experiente e amigo da família.

A viagem foi longa. Mas leve.

Havia alegria.
Expectativa.
E o prazer de estarem juntos.

Em determinado momento, pararam na estrada.
Desceram do carro. Ficaram ali.

Contemplaram a natureza.
A sintonia.
E, simplesmente, viveram o encontro.

Como já dizia a canção:

 “… Bem aos olhos da Lua

Resolvi te amar

Uma estrela sorriu à toa

Ao me ver te beijar…”

Seguiram viagem.

Chegaram a Santa Quitéria.
Resolveram os detalhes da obra com o Sr. José Antonio.
Depois retornaram para Crateús, à casa dos pais de Catarina.

Compraram materiais.
Deixaram tudo encaminhado.

E então voltaram para São Paulo.

A obra começaria.

Enquanto isso, a vida seguia.

Trabalho.
Compromissos.
Responsabilidades.

A rotina retomava seu ritmo acelerado.

Ao mesmo tempo, no Ceará, a casa crescia lentamente.
Tijolo sobre tijolo.

Como se existisse em um tempo diferente.

O projeto unia o casal.
Dava direção.

A cada viagem, as metas eram reafirmadas.
Havia planejamento. Investimento. Estratégia.

No papel, tudo fazia sentido.

No entanto, dentro de Catarina, a construção era outra.

O mover-se de Catarina acontecia na esfera do trabalho.

Assumia cargos de liderança.
Buscava especializações.
Consolidava sua identidade profissional.

Quanto mais crescia na carreira, mais enraizada se sentia em São Paulo.

E, aos poucos, uma pergunta silenciosa surgia:

Quem seria ela fora daquele contexto e daquele trabalho que a definia há tantos anos?

Mais adiante, ela compreenderia que algumas construções externas exigem, antes, demolições internas.

Mas essa é outra parte da história.

No próximo episódio vamos fazer uma visita ao local de trabalho de Catarina e presenciar um diálogo que mudou, significativamente, o rumo da sua carreira.

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