3º EP Minissérie: O que faço com a hisória que vivi

Episódio 3 – Heranças invisíveis que moldam decisões, mas não definem escolhas

Neste terceiro episódio, seguimos adiante, mergulhando no processo interno aprendendo que escolhas nos tiram do escuro e, abrem espaço para o exercício da fé, onde podemos caminhar mesmo sem enxergar todo o percurso.

Tomar uma decisão não eliminou os medos de Catarina. O planejamento não trouxe garantias, e a fé não afastou as incertezas. Algo dentro dela permanecia inquieto.

Havia uma resistência que não estava apenas ligada à mudança de estado. Ela vinha de camadas mais profundas: da sua história, da sua formação emocional, das experiências familiares que moldaram sua visão de mundo.

Somos frutos do meio em que crescemos. Nossa estrutura emocional nasce das vivências familiares, dos conflitos que presenciamos e das narrativas que ouvimos repetidamente ao longo da vida, especialmente na infância.

Hoje, Catarina entende isso. Mas naquela época, apenas sentia um incômodo, que não sabia explicar.

O que você vai ler agora é a compreensão dela sobre o eco de histórias mal resolvidas que ainda habitavam em si.

Seus pais saíram do Nordeste na década de setenta, rumo a Goiânia. Sua mãe havia perdido dois filhos em partos normais, devido à falta de estrutura básica, hospitais e acompanhamento adequado. Migrar era, para eles, uma tentativa de sobrevivência e a realização do sonho de ser mãe.

Catarina nasceu em Goiânia e, com apenas dois meses de vida, seus pais seguiram para São Paulo, onde foi criada junto com um irmão que nasceu dois anos depois.

Seus pais viveram uma vida simples, marcada por muitas dificuldades. Após anos de esforço, conquistaram a casa própria na zona leste de São Paulo, onde moraram por mais de vinte anos.

Seu pai sonhava em voltar para o Nordeste e não queria esperar pela formação dos filhos, tinha pressa. Sua mãe, porém, resistia. Não queria retornar a um lugar associado à escassez e ao sofrimento, nem abrir mão das oportunidades de estudo para os filhos.

Esse conflito acompanhou toda a vida familiar de Catarina. Ela cresceu observando, ouvindo e formando suas próprias conclusões. Pensava:
“Jamais quero morar naquele lugar de poucas oportunidades, de onde meus pais saíram e sofreram. E ainda por cima, um lugar de clima quente.”

Agora, casada com um homem nordestino, que havia migrado para São Paulo em busca de melhores condições, mas que também a apresentava o mesmo sonho do seu pai – ela percebia que vivia, de outra forma, o mesmo dilema. A diferença era que seu esposo tinha bem “os pés no chão”, queria voltar, mas dentro de uma estrutura, cuidadosamente planejada.

Com o tempo — e com as visitas frequentes ao Nordeste — Catarina percebia que a realidade havia mudado. O lugar já oferecia outras possibilidades, outras condições, outra qualidade de vida.

Em algum momento dessa trajetória ela percebeu: sua resistência inicial àquele projeto não era falta de fé, era medo herdado. Medo que aos poucos foi se transformando em fé e coragem.

A história que Catarina viveu a moldou, mas não determinou seus passos. Permanecer presa a ela ou seguir adiante passou a ser uma decisão consciente.

E a pergunta que deixo é simples e direta: de que forma você tem permitido que sua história conduza suas escolhas hoje?

No próximo episódio, seguimos viagem. Entre idas ao Nordeste e voltas para São Paulo, o projeto começava, finalmente, a ganhar vida.