
Episódio 1 – Aprendendo a fechar ciclos
Durante muitos anos, principalmente na juventude e no início da fase adulta, Catarina viveu acreditando que a vida era algo a ser vencido. Cada situação exigia combate, reação e força. Esse modo de pensar e estar no mundo consumia sua energia. Vivia em estado de prontidão, como se estivesse sempre se preparando para o próximo embate, sem perceber o quanto isso lhe custava.
A adolescência, por exemplo, é uma fase cheia de ilusões. Uma delas é sobre o amor — sobre a pessoa ideal, aquela com quem acreditamos que viveremos o resto de nossas vidas.
Catarina é de uma época em que não havia redes sociais, e as referências da juventude vinham das novelas, dos filmes, das músicas. Havia uma ingenuidade própria daquele tempo e menos espaço para comparações constantes. Foi nesse contexto que, aos dezesseis anos, ela conheceu seu primeiro namorado. Com ele viveu toda a sua juventude.
Foram oito anos de relação: entre namoro, noivado, e um ano de casamento. Casar para ela, era a realização de um sonho, do qual logo ela acordaria para a realidade.
Aos poucos, ela foi se afastando dela mesma, da sua essência, das coisas que ela gostava. Vivia em função daquele relacionamento, que era tóxico. Naquele momento, porém, ela não tinha essa percepção ou até tinha, mas alguns medos escondidos na alma não cediam lugar para a coragem.
Catarina ainda viveu algum tempo administrando suas dores e conflitos internos. Pensava, voltada atrás, adiava. A decisão não se impunha de uma vez — ela foi se formando. Até que aos vinte e quatro anos, encontrou forças para pedir o divórcio e, com isso, colocar fim àquele ciclo.
Seu pai teve um papel significativo nesse processo: ainda casada, seus pais foram lhe visitar. Almoçaram com ela e retornaram para casa. Alguns dias depois, foi ela quem os visitou, decidida a compartilhar a escolha que estava prestes a fazer. Seu pai, já tinha percebido seu sofrimento, disse que não gostaria de ver o fim do seu casamento, mas que a apoiaria na decisão que tomasse. Sua mãe, por outro lado, colocava a religião em primeiro lugar: casou, é para a vida toda. Releve, perdoe, ore — era o que ela dizia. E Catarina o que fez? Seguiu seu coração e sua razão.


Aquela decisão foi ao mesmo tempo libertadora e dolorida. Pois ainda havia sentimentos a serem elaborados dentro dela. A religião cobrava sua conta, a família pedia explicações, autoestima comprometida, porém, nessa dança algo se instalava dentro dela: a vontade de seguir em frente e, aos poucos ela foi achando seu lugar.
Foi também aos poucos, ao longo do tempo, que Catarina aprendeu a fechar aquele ciclo, permitindo que aquela história encontrasse seu lugar. Não como algo a ser esquecido, mas como parte do que tinha sido possível viver — com os recursos que ela tinha naquele momento.
O perdão, a si mesma e ao outro, não veio como apagamento, mas como recomeço. E, nesse espaço, algo começou a se libertar. No próximo episódio, vamos acompanhar uma decisão importante na vida de Catarina.
